18 dezembro, 2015

Motivação no Moodle


Falemos um pouco sobre motivação e ambiente MOODLE. Trouxemos um artigo para iniciarmos nossas reflexões.

Moodle


Motivar para o Ensino a Distância no Ambiente MOODLE


Autores: CUNHA, R. M.; GROSS, E.; SANTANA, L. F.; SOUSA, M. C. S. de

Este artigo sugere estratégias de motivação desenvolvidas para a modalidade de ensino a distancia por meio do Sistema de Gestão de Aprendizagem MOODLE (Modular Object Oriented Dynamic Learning Environment), plataforma baseada no sócio-construtivismo e que disponibiliza vários recursos, arquitetando a construção coletiva de um trabalho colaborativo com esta nova tecnologia de comunicação educacional, visando o propósito de ampliar as possibilidades de ensino e aprendizagem.

Mudança paradigmática
Estamos vivenciando de fato uma mudança copernicana na educação – passagem de modelos behavioristas de aprendizagem para modelos construtivistas (PETERS, 2003) – agora fomentada pelo uso das TIC (Tecnologias da Informação e Comunicação) e principalmente com a figura de um professor que supera a insegurança, o medo, que na educação vai gerando a coragem (FREIRE, 1996). O aluno torna-se sujeito de sua aprendizagem, com autonomia frente ao seu professor e também em relação ao conteúdo de ensino. Por mais paradoxo que possa ser esse processo de fornecer autonomia aos alunos, é necessário que o professor interaja com eles para uma inovação da aprendizagem favorecida por meio de recursos tecnológicos para fins pedagógicos.

professor

O professor deixa, assim, de ser o centralizador do conhecimento, tornando-se um organizador do conhecimento, da informação, utilizando recursos audiovisuais, comunicando-se com seus alunos por meio de fóruns, chats, por meio de pesquisas, discussões, tornando sua aula motivadora dessa aprendizagem autônoma; o aluno, por sua vez, desenvolve conceitos a partir de conceitos já conhecidos (VYGOTSKY, 1989), de forma cada vez mais colaborativa, interacionista, entre os seus pares, projeto pessoal a partir do coletivo. 

Contudo o processo de mudança na educação a distância não é uniforme nem fácil. O professor continuará “dando aula” e enriquecerá esse processo com as possibilidades que as tecnologias interativas proporcionam: para receber e responder mensagens dos alunos, criar listas de discussões e alimentar continuamente os debates e pesquisas cm textos, páginas da Internet motivando professores e alunos com aulas com pesquisa e intercâmbio (MORAN, 2002). 

Para tanto, torna-se necessário a definição de estratégias de atuação de uma equipe envolvida nesse processo: administradores, professores e auxiliares técnicos de EAD (Ensino à Distância) para viabilizar a produção de material didático adequado a um ambiente que estimule o aprendizado. Além do estabelecimento de critérios para o envolvimento dos discentes nesta modalidade de ensino e avaliação dos resultados obtidos para uma efetiva readequação dos recursos disponibilizados para definição de um modelo que possibilite a expansão do processo. 

Metodologias de aprendizagem em EaD 
Segundo os princípios do construtivismo social, as pessoas aprendem mais e melhor quando estão em processo contínuo de interação com outras pessoas. O MOODLE foi criado sob esta ótica. Ele oferece cenários de aprendizagem que estimulam uma prática construtivista – wiki, chat, fórum, blog, entre outras. Deve-se evitar a prática tão sedutora de meramente transportar o ensino presencial para esse ambiente de aprendizagem, ostentando um varal de conteúdos em forma de textos e questionários meramente instrucionistas.

TICs

Uma das várias metodologias dessa modalidade possibilita o uso de imagens e/ou textos associados a uma narração em áudio. Tal formato é um grande facilitador da aprendizagem, pois, além de ajudar a eliminar a frieza e impessoalidade dos ambientes voltados ao ensino a distância, fatores que desestimulam os alunos, assim, a voz do professor acrescenta uma sensação de acompanhamento humano ao aluno, o que permite uma melhor compreensão do conteúdo.

O uso do fórum, por sua vez, requer técnicas específicas e uma delas diz respeito à provocação e polemização de determinados temas. Ao gerar uma questão/tópico polêmico, o aluno sente-se compelido a participar da discussão, tomando partido frente ao que foi exposto. 

A contextualização também ajuda a trazer e ampliar as discussões para o interior dos fóruns. O uso prático, exemplificação ou estudo de caso, de uma determinada teoria facilita o entendimento do assunto e estimula os questionamentos quanto às possíveis soluções para problemas factíveis. Deve-se, pois, interligar o conteúdo teórico ao fórum. Salienta-se que a mediação do professor responsável é de fundamental importância para o bom funcionamento de qualquer documento que seja socialmente criado, construído, pelos discentes – é o caso do recurso wiki. 

Nessa abordagem construtivista o aluno posiciona-se de forma a: colaborar com outros estudantes em uma comunidade de construção de conhecimentos, aprender utilizando modelos e simulações, encontrar outros estudantes on-line a fim de participar de ‘aulas virtuais’, 'seminários virtuais’ ou bater papos com eles em um café virtual. 

Há uma grande diferença entre este tipo de aprendizagem e o tipo tradicional, no qual os estudantes assistem a palestras, lêem livros didáticos e se ocupam com a memorização e evocação de conteúdos selecionados. (PETERS, 2003, p. 59) No entanto, se estas técnicas inovadoras forem tratadas mecanicamente, mesmo com conteúdos relevantes, se não se levar em consideração que a atividade está, na verdade, no pensamento reflexivo, o objetivo maior, que é a aprendizagem, não será atingido (CUNHA, 2002). 

Considerações finais 
Para uma efetiva mudança de paradigma educacional, tendo como o seu grande aliado o Moodle, como plataforma de aprendizagem com forte valor agregado pelos seus variados recursos pedagógicos, faz-se necessária a motivação de uma equipe interdisciplinar e o abandono da estrutura curricular estática e fechada. 

Referências
CUNHA, R. M. As Tecnologias multimídia: telemática na prática de ensino do meio ambiente: uma abordagem interdisciplinar. Tese (Doutorado em Ciências) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade São Paulo, São Paulo, 2002.
FREIRE, P. Papel do planejamento na construção do projeto político pedagógico da escola, Cadernos da escola cidadã, São Paulo: IPF, 1998.
MORAN, J. M. O que é educação a distância. 2002. Disponível em: http: http://www.eca.usp.br/prof/moran/dist.htm. Acesso em: 15 out. 2007.
PETERS, O. A educação a distância em transição: tendências e desafios. Tradução Leila Ferreira de Souza Mendes. São Leopoldo: Unisinos, 2003.
VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 1989. 

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